29 de mar de 2010

Cherry B3 PRO Theremin

Dia 29 de março de 2010 às 17h chegou meu Cherry B3 PRO Theremin, da Sounds Like Burns (EUA). Encomendei dia 25/02 e chegou em menos de um mês. Tudo me custou uns 1700 reais, tudo feito legalmente, pagando o diabo da alfândega, etc. Primeiro vou descrever o produto, aí fazer os elogios, depois as reclamações. Nem é bem uma review séria, mas caso alguém queira comprar, terá expectativas mais realistas baseado nas informações a seguir.


APARÊNCIA, FUNCIONAMENTO, ANTENAS E CONEXÕES

Olha ele sozinho na foto, depois junto do meu RDS #71:
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Assim como o RDS Theremin, possui gabinete de madeira "vintage", clássico e bem acabado, medindo 45cm. O B3 nas extremidades vai afinando e no centro onde ficam os botões é mais gordinho (profundidade). O B3, com acabamento em madeira de cerejeira, embora também rígido, parece bem mais frágil que o RDS. Veio bem seguro e empacotado, mas não acompanhou manual de instruções - apenas um recadinho quanto à alimentação elétrica e um cartãozinho (foto acima). Nem precisava.^^

Tem dois botões giratórios de madeira de cerejeira também, parecem dois olhos, com marcação cortada e preenchida com outro material branco, talvez algum plástico, ou seja, não é pintado que desbota com o tempo como em outros theremin. São super moles os botões, ou seja, nada de botões plásticos duros né! Afinal, thereministas são músicos de precisão, não podem ficar botando força física no instrumento.

O botão da direita é "pitch" e o da esquerda (perto da antena curva) regula o volume, e serve também de ON/OFF, dá um estalinho quando liga ou desliga o aparelho (e também dá pra ver pelo LED, que apaga). No sentido anti-horário ele diminui o volume, até que dá um estalo e desliga, enquanto no sentido horário, liga (sempre em mute) e aumenta o volume até um limite máximo.

Não possui pés pra apoiar sobre uma mesa - apenas 4 pontinhos de feltro, que escondem os parafusos que abririam o instrumento por baixo. Não possui rosca para pedestal de microfone, apenas uma cavidade no gabinete, lisa, que encaixa muito bem em muitos pedestais. O theremin já chega totalmente montado, com antenas não-removíveis, porém super leve (não passa de 1 quilo e meio, incluindo a fonte de alimentação).

Como as antenas não são removíveis, são totalmente livres de chiados. Ao encostar em qualquer uma das antenas, não sai som nenhum. Embora traga alguns benefícios, as antenas não-removíveis tornam delicado o transporte do instrumento a não ser que você tenha uma mochila longa ou mande fazer um case apropriado. São finas mas resistentes, comparado a outras antenas fininhas do mundo do theremin e de aparelhos em geral (rádio, TV, carro, etc.). A antena vertical é telescópica, e o fabricante fornece facilmente outra para substituição em caso de acidente (quebra fácil).

Tem duas conexões no traseiro, de frente pro público: a de alimentação elétrica (funciona entre 20/30volts) e a saída P10. Bom que o thereminista não tem poluição visual, apenas fica de frente para o que lhe interessa, não tem que ficar olhando pra um monte de plugs e cabos enquanto toca.

O tempo para aquecer, ou seja, pro B3 pegar a estabilidade e poder ser tocado, não passa jamais de 3 minutos, isso sem contar que muitas vezes é quase instantâneo o aquecimendo do instrumento. Lembre-se que os Moog levam uns 15 minutos pra aquecer, você tem que plugar na tomada e esquecer do instrumento ligado por um tempo, o que é uma tortura.

A estabilidade do B3 é assustadora - mais estável que todos os Moog. A partir do momento que vc regula o B3, já era, ele não sai da regulagem! O campo elétrico não fica se movendo sozinho (claro, a não ser que o ambiente em volta mude, mude a temperatura, etc.).


CARACTERÍSTICAS DISTINTIVAS

Vamos aos pontos positivos e únicos do B3 PRO Theremin.

O "mute switch", o botão stand by, que é raridade em theremins, e é a principal característica distintiva desse modelo. É o que a propaganda em inglês descreve como "Innovative Mute Switch Touchplate with green/red LED indicator". Nesse caso o "mute" tem um design inovador, talvez apenas existente no lendário extinto TVox Tour, que é uma plaquinha metálica (parece uma moeda) que sente sua pele e corta o som, emitindo uma luz vermelha, e ao sentir sua pele de novo, solta o som e a luz fica verde. Além de ser totalmente funcional, é prático, silencioso, não afeta a estabilidade do instrumento, não requer pressionar nem girar botão nenhum - basta passar levemente o dedo sobre o metal da "touchplate" que corta a saída de áudio, ou libera. Por via das dúvidas, faça-o enquanto estiver com um dedinho encostado na antena de volume.

O outro grande ponto positivo desse instrumento, além do mute que descrevi no parágrafo anterior, é o som, que pelo YouTube já é lindo, muito mais pessoalmente, até mesmo no amp mais vagabundo e simples que vc tiver. O timbre é belíssimo - quando a propaganda diz que é um bom som, não estão exagerando. Tem um "raw sound" meio metálico e claro, transparente, muito vocal e feminino, especializado nas regiões mezzo-agudas em que 90% dos theremins é irritante, gritante e até mesmo insuportável. O B3 soa macio porém pesado até no agudo extremo (flautim), mas não é um som senoidal vazio, nem algo opaco filtrado obscuro e "muted", pelo contrário, é um som aberto, poderoso e encorpado. Uma verdadeira obra de arte.

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TOCABILIDADE, CAMPOS ELÉTRICOS

O campo de volume é super linear, parece ter sido especialmente projetado pra facilitar o pitch-fishing (a pescaria silenciosa de frequências) e graduais dinâmicos muito específicos, inclusive o efeito fita-reversa (crescendo e corte súbito). A calibragem do volume pode desagradar quem tem costume com os Moog. Eu diria que o B3 é um extremo e os Moog são o outro: o B3 é quase "melado" de tão gradual e sem ataque nos pianíssimos, e os Moog são "snappy", facilitam forte súbito. Além disso pra qualquer um dos extremos se torna intocável.

O botão de volume (à esquerda, com a antena curva) não ajusta bem a linearidade ou tamanho do campo de volume do B3, mas apenas o volume geral - mantendo quase sempre a mesma linearidade ou tocabilidade inicial. Ou seja, por um lado você não precisa aprender diversos arcos e dedilhados para o campo do volume, já que ele terá sempre o mesmo formato (que é muito bom por sinal), mas o ruim é que não te dá opções, e pode impedir ou dificultar alguns efeitos, ataques fortes, etc. deixando a melodia "melada". É mais complicado de executar staccato e tremolo nesse theremin, e a antena de volume é pequena demais, mede uns 14cm apenas, medindo a partir do gabinete.

O botão da direita, próximo à antena vertical, permite controle da afinação e do tamanho do campo tocável. O campo de frequência é reversível, ou seja, você pode jogar a batida zero pra antena e tocar o contrário do padrão do theremin tradicional, com o grave na antena e o agudo no seu corpo, embora isso não seja muito funcional. Bem, eu não gostei muito da calibragem desses potenciômetros, os Moog dão mais liberdade ao músico nesse aspecto, devido a outra questão: o tamanho do campo elétrico.

Vou ser sincero, o B3 Pro não é tão espaçoso quanto eu esperava. É menos espaçoso que os Moog EStandard, aliás, como o campo elétrico útil é menor (e as antenas também), parece ser sempre menos espaçoso. O tamanho do campo elétrico pode decepcionar quem está acostumado com os gigantescos Moog, capazes de encher qualquer sala. Bem, dificilmente vai a 80cm no B3. Mas tem uma tocabilidade razoável-boa, apenas repare bem que funciona melhor na altura do rosto, e não mais abaixo na cintura como costumo fazer com o RDS.

É possível afiná-lo a partir do C6 para solos de "passarinho" indo até uma oitava além do piano. Adoro. Nesse ponto, é mais tocável que os agressivos Moogs. O B3 é especializado em agudos. Aliás, a linearidade geral é um pouco inferior à dos Moog que são o padrão no mundo do theremin. Eu diria que tem até um pouco menos de distorção linear que os Moog no agudo, mas em compensação no médio-grave, nossa, que negação. Algo que não citamos é descrito por Thomas Grillo nas seguintes palavras: "removable wood access belly plates for easy access to internal tuning". Não faz diferença pra eu que não construo theremins.

Aqueles efeitos percussivos que estragam os glissandos rápidos e atrapalham a articulação na maioria dos theremins, bem, no B3 pode-se dizer que não existem. Ele tem uma articulação perfeita, nem muito percussiva nem muito vazia nos saltos amplos. Permite por exemplo um descarado salto descendente de quarta justa com um reduzidíssimo "efeito doppler-theremin".



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Eu sei, eStendido é com S, mas é que eu tava pensando em eXtended.

AVALIAÇÃO PESSOAL E CRÍTICAS

O maior ponto negativo do B3 Pro é a extrema sensibilidade a interferências eletromagnéticas. É difícil achar um ambiente nesse mundo de computadores, celulares, rádio, etc. em que ele funcione bem, com som limpo. E um aterramento decente é pré-requisito também. Até agora só consegui tocar ele em um local, em todos os demais, ele captava ondas ou campos, sei lá, que ficava doido. A impossibilidade de tocar o instrumento num determinado ambiente é mais frustrante que todas as suas limitações juntas. Theremins são por definição instrumentos ambientais, mas o B3 Pro chega a ser grotesco de tão sensível ao ambiente ao seu redor.

Ah, é claro, a extensão é basicamente umas 5 oitavas mais tocáveis. Dá pra ultrapassar o piano no agudo, mas no grave... difícil ir mais que uma oitava abaixo do dó central. Ponto negativo, pra quem gosta de fazer solos em registro de baixo ou pra quem espera um theremin de 7 ou 8 oitavas. Uma pena. Simplesmente não faz sons graves esse B3, é uma deficiência a falta de tocabilidade grave. Além da distorção nos graves, devo citar a ausência de controle de formato de onda, harmônicos, filtros, etc. embutidos no instrumento, portanto ele possui apenas 1 som - tão bom que dispensa controles de timbre, mas torna muito importante a regulagem do amp (grave, médio, agudo).

Eu recomendaria esse instrumento pra quem quer tocar mais no estilo clássico ou profissionalmente. Se você só quer brincar, ele vai parecer chato pois tem um visual limpo sem muita informação, só um timbre e uma tocabilidade muito específica (alguns ousam dizer que é reduzida, mas depende de suas intenções e experiência com theremins). A voz quente do B3 é imponente e respeitável. É o tipo de instrumento perfeito pra momentos de lirismo e inspiração, não pra fazer barulho à toa e incomodar os vizinhos. Bem, pelo menos é isso que ele me inspira. Iniciantes? Talvez não. Vai um RDS ou Moog Etherwave Standard. Aliás, o Standard é Padrão!


FABRICANTE, PROPAGANDA

O site do produto tem vídeos de demonstração e algumas fotos:
http://www.soundslikeburns.com/New_Items/pro.html

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O gabinete mais escuro, de nogueira, não me chamou a atenção, visto que meu RDS já é escuro, então pedi o acabamento mais claro, de cerejeira. A descrição do produto no site é verdadeira, não decepciona nem engana. Os exemplos são reais mesmo, e eu diria que pessoalmente o som é muito mais bonito que nos vídeos de demonstração (e olhe que eu uso amplificadores vagabundos! Mas o youtube distorce mais o som). Enquanto eu não gravo nada com o B3 PRO, fiquem com esses links, que têm vídeos.

O thereminista Thomas Grillo virou garoto-propaganda da linha B3 de theremins, sendo amigo do fabricante, Dan Burns, cujo B3 PRO é o produto mais avançado até então. O próximo avanço será colocar um módulo para modificar o timbre. Mas não pude esperar, comprei agora mesmo assim. O Thomas é realmente um cara muito gentil e educado, do tipo que agrada todo mundo, e um dos poucos que, pela internet, encoraja os novatos do mundo todo - como eu uns 5 meses atrás. Ele dá aulas pelo skype (webcam) por preços acessíveis, se não me engano a hora tá a 30 dólares americanos. Coloquei o link dele na barra direita do blog. Eis algumas fotos dele promovendo o produto:

http://www.soundslikeburns.com/resources/Thomas-and-Dan-at-Fondren.gif
http://www.soundslikeburns.com/resources/Grillo-from-JFP.gif
http://img291.imageshack.us/img291/1318/3555845createagif.gif

23 de mar de 2010

Mais três thereministas brasileiros

Venho através desse post apresentar ao mundo três brasileiros que tocam theremin ao vivo: o DJ Yatta, a Laiana Oliveira e o Márcio-André. Um de cada vez né! Primeiro as damas.

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A Laiana Lopes de Oliveira, de GO, faz composição na UFG - acho que acabou de se formar. Eu quase tive um orgasmo quando vi que tinha nesse Brasil um músico assumindo o theremin como seu instrumento de concerto. Vi um vídeo dela tocando num Theremin RDS uma peça de Villa-Lobos (que Clara Rockmore gravou), uma bachiana brasileira. Fiquei arrepiado. De fato, ela se tornou uma thereminista clássica antes de mim.

Quando ela cita suas influências no Myspace, diz: "Os russos, (...) Estércio Marquez, Jorge Antunes, Clara Rockmore, Victor Estrada". É, nada mal, bem thereminística. Fez iniciação científica em theremin em 2008 orientada por Anselmo Guerra (Universidade Federal de Goiás, PIVIC). Segue tudo que achei dela na internet, linkado: YouTube; Calleres; Lattes; Myspace; Facebook; Twitter; BlogUEL; anais simcam (p. 348-360); deixou comentário nessa postagem também. Obrigado Laiana!

Quem me mostrou a Laiana foi o mestre Marcus Neves, que inclusive esteve comigo na organização dos meus 2 primeiros recitais e inclusive tocou live electronics. Ele também tocou com ela, em outubro de 2009, no 29º Festival de Música de Londrina, Teatro Ouro Verde. A partir desse encontro, chegou a mim a informação, e desse evento tiro todo o material dessa parte da postagem. Como dizia o programa: "Laiana Oliveira, theremin (UFG/Goiania)". Vejamos.

Ela regeu o conjunto instrumental no início da peça e em menos de um minuto ela corre pro theremin pra tocar. Diz a descrição do vídeo que segue (apresentação apenas): "O trabalho foi resultado do curso de composição heurística ministrado pelo prof. Dr. Ricardo Mandolini no 29 Festival de Música de Londrina. A equipe reconstruiu, reorquestrou e interpretou uma nova partitura a partir da obra 'Trenodia às Vítimas de Hiroshima' de Penderecki."


Tem no youtube um clip looongo dividido em duas partes que mostra o tal curso, o trabalho da equipe, etc. (Links: parte 1, parte 2). Desse clip longo eu extraí um recorte curto para focalizar no theremin e na Laiana. Assistam minha edição especial com atenção às anotações na tela:



Publico aqui meu desafio à Laiana: compor repertório original para o theremin, e entrar para a história do instrumento como intérprete-compositora. (Tudo bem, ela já tem feito isso, mas quero ver mais! :-)

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[cd_incendio_Yatta.jpg]

O DJ Yatta (Henrique Takimoto Jasa) fala do RDS Theremin - mas não sei se ele usa outros theremins também, porque inclui efeitos, processamento ao vivo (pedais, é claro). Achei um podcast dele e pude ouví-lo falando e tocando ainda quando iniciante. Ele era, sem falsa modéstia, bem adiantado, assim como eu, saiu tocando theremin em pouco tempo, pelo visto. É um podcast informativo e gostoso de ouvir, ele explica e conta a história do instrumento, e toca umas músicas ao seu gosto. Confira:

Nome do arquivo: jamcast03(good version).mp3
Descrição do arquivo: DJ Yatta - Podcast 3 - Theremin - www.jam-cast.com
Tamanho do arquivo: 20.68 MB
O download é rápido e gratuito:
http://www.megaupload.com/?d=ADWNT2S3

Estamos em contato, espero que consigamos desenvolver alguns projetos juntos. Outros links que posso fornecer são o YouTube dele (link) e seus blogs, que podem ser achados no perfil dele no blogger:
http://www.blogger.com/profile/02117163138982971830

Pérola do Yatta:
"A antena geralmente é um toco de ferro"...
Essa foi inspiradora. Muitos tocos de ferro pros leitores! De qualquer origem: de TV, rádio, caminhão, artesanal, plate, etc. O que importa é ter antena.

Olha quanta emoção ele deixou na caixa de comentários:
"O Theremin não é apenas um instrumento, é um condutor de sons e sentimentos! Não é á toa que memso sendo tão antigo, tão diferente, ainda fascine tanto hoje em dia!"
Amem!

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Eis o Márcio-André (site), um compositor-intérprete, está exportando seu talento, incluindo uso de theremin e de imitações de theremins. No site da equipe dele, a Confraria do Vento, ele também diz que toca violino, percussão, gravações e voz. Só o fato de um brasileiro assumir o theremin como instrumento já me deixa todo alegre, ainda mais tocando ao vivo.

http://www.confrariadovento.com/arranjos/011.jpg

Aparentemente é um theremin de fabricação artesanal com uma antena só. Na seguinte peça é tocado sem altura definida, algo provavelmente tipo notação gráfica ou improviso:

Aqui alguém que não conhece theremins viaja na maionese sobre a peça acima:
http://www.confrariadovento.com/arranjos/texto03.htm

No seguinte vídeo ele usa um soft-synth qualquer pra emular theremin no computador - é claro, a imitação não tem nada a ver com um theremin de verdade, mas a tentativa é boa. Demonstra interesse pelo glissando eletrônico, típico dos instrumentos radioeletrônicos que tanto amamos:

Aqui seu canal no youtube: www.youtube.com/poesiasonora

Uma Poética Musical Brasileira e Revolucionária

Acabei de comprar pela Estante Virtual o livro "Uma Poética Musical Brasileira e Revolucionária", do Jorge Antunes (organizador; Sistrum: Brasília, 2002). O livro chegou em três dias. Consegui um exemplar usado autografado pelo organizador, em ótimo estado (nem parece ter 8 anos de uso). Olhem as fotos:


Ele tinha me dito que nesse livro, "um dos capítulos é totalmente dedicado ao estudo sobre os teremins, e outros equipamentos" que ele construiu nos anos 1960. Na prática, o livro descreve e analisa a obra do Jorge Antunes, e traz várias menções ao theremin desse ponto de vista, inclusive fotos, descrições técnicas, históricas e estéticas. Provavelmente ele foi o primeiro a fazer isso no Brasil - montar um theremin (após Robert Moog) e ainda expor o instrumento publicamente, fazendo música. O livro abre muito a cabeça da gente, não é útil apenas pra quem quer conhecer melhor o Antunes, nem somente pra quem quer sanar curiosidades.

Realmente é mágico que os jovens imaginem que cem anos atrás tudo era "primitivo". Não sabemos, ignorantemente, quanta música eletrônica boa se fazia na época da vovó. Quanta tecnologia já existia - só não era solid-state! Quanta coisa de antes de você nascer soa atual, ou até mesmo superior à produção eletrônica atual! Por exemplo, quando falo do Novachord ou quando digo ao público que o theremin existe há 100 anos (no Brasil, há cerca de 55 anos), muitos não acreditam. Só o estudo pra nos salvar da ignorância de achar que o presente é avançado e o passado simplório.

Por exemplo, via email me contaram mais uma história de theremin no Brasil antigamente. Um senhor chamado Francisco A. Pereira me contou que quando jovem, uns 40 anos atrás, viu em Itapira, SP, sua cidade natal, uma apresentação ao vivo de theremin, no teatro local. São esses pedaços da história do theremin nacional que eu quero remontar com esse blog. Tudo confiável, verificado e comentado, enriquecido pela minha experiência como thereminista.

Se eu tiver de muito bom humor, talvez faça um resumão aqui, mas não custa nada você procurar um sebo e comprar o livro, sai em torno de 30 reais com frete pela internet, não é difícil encontrar por aí. Vale a pena, conhecer o mundo producente de um compositor tão legal :-)

http://sussurro.musica.ufrj.br/abcde/a/antunesjorge/FOTOAntunes.jpg

10 de mar de 2010

Theremin na MTV Brasil

Agora, exatamente agora, 10/03/10 às 22:50, passou no Comédia MTV o Marcelo Adnet brincando num theremin Moog Etherwave Standard (cara de kit DIY). Rolaram várias tentativas de humor em torno do instrumento... Foi interessante, dou total apoio a esse tipo de besteirol thereminístico. Nem que seja como objeto de piada, o theremin tem que ir pro ar! O mundo deve ser thereminizado a partir dos jovens mesmo.

O programa vai ao ar Quarta às 22h30. Reprises: Quinta à 01h30, Sexta às 14h00, Sábado às 21h00, Domingo às 22h30. O vídeo já foi postado no site da MTV, pra quem perdeu (programa na íntegra, link direto). Confiram o começo, o primeiro minuto mostra o theremin:



Aliás, a MTV é muito aberta a novidades, como vemos sempre. Alguns exemplos de notícias da MTV citando o theremin:
http://mtv.uol.com.br/noticias/leela-conta-suas-desventuras-do-underground-ao-estrelato
http://mtv.uol.com.br/noticias/musico-do-radiohead-estreia-peca-experimental
e principalmente:
http://mtv.uol.com.br/noticias/pato-fu-comenta-seu-clipe-de-ultima-geracao

UPDATE: 3 de maio 2010, 22:30
Passou na MTV, com elogios dos apresentadores, o famoso clip de Good Vibrations de The Beach Boys, que inclui a primeira imitação famosa do theremin, o tannerin, e um estilo todo inovador de sinfonia pop ou sei lá o quê, com o pioneiro Brian Wilson. O programa pode ser assistido aqui (BLOCO 01):
http://mtv.uol.com.br/toptop/naintegra/top-top-pioneiros-clique-aqui-e-assista-na-integra