8 de nov de 2009

O Sexo dos Theremins

Como nascem / se reproduzem os theremins?
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Sexo grupal de theremins. Clique para ampliar.
Linda exposição de diversos theremins e suas antenas de volume e de frequência, uma dentro da outra. Foto e montagem do Thierry Frenkel, otimizador de theremins.

Não, a imagem acima não é baixaria nem "thereminfilia", embora, acredite, existem pessoas que realmente fazem sexo com theremins. Eu achava que era brincadeira, mas já não duvido mais de nada... Aliás, existe algum instrumento mais sensual que um theremin?

Na verdade, são os thereministas que são charmosos e atraentes por natureza - talvez pela magia de tocar um campo elétrico invisível e impalpável.

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Não é a toa que o theremin tem fama de ser instrumento de gente exibida: o theremin é um instrumento muito visual, aí a gente se vê obrigado a oferecer ótimas atrações visuais não-musicais - o próprio público não quer apenas ouvir boa música de theremin.

Aliás, muita gente gosta de tocar theremin [semi]nu, inclusive eu. Não é muito confortável ficar paralisado movendo dedinhos no ar - se balançar o corpo meio centímetro ferra toda a música, a gente quase não respira - repare quando puder ver algum thereminista tocando com pouca roupa, não dá pra perceber sua respiração.

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A gente tem que ficar se entortando dentro de um campo elétrico, meio robô meio estátua-modelo. Agora eu sei que aquelas estátuas vivas que pedem moedas nas praças e semáforos são verdadeiros artistas! E também sei porque usam pouca roupa ou roupa leve. Assim como os modelos "manequins vivos" que ficam em vitrine.

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No mundo do theremin, sem preconceitos, os coloridos LGBT têm muito poder. Talvez o maior deles seja o famoso Armen Ra, declarado por várias revistas e jornais uma rainha do theremin, que também toca seminu (às vezes só com a parte de baixo, véus ou algo do tipo):






O mundo do theremin é dominado e dirigido pelas mulheres, que faturam muito mais que homens na área (independente da orientação sexual), vendendo mais CDs, dando mais concertos, cobrando muito mais caro pelas aulas e pelas performances, etc. - isso é estatística, eu não estou inventando nada. Na hora de citar as autoridades e referências no mundo do theremin a média é de 4 nomes femininos para 1 masculino.

Pra quem não sabe, o Leon Theremin sempre pregou que mulheres deviam ocupar cargos na ciência assim como homens, com os mesmos direitos e honras. Foi polêmico na sua época por ter, em pé de igualdade, sempre mulheres na sua equipe. Clara Rockmore foi e sempre será a deusa da história do instrumento em termos de performance, projetando-o com dignidade e virtuosismo, e promovendo avanços decisivos para quem toca theremin, hoje e sempre. Mecenas de maior peso histórico? Lucie Bigelow Rosen, que inclusive comissionou pra ela mesma uma das peças mais bonitas para música de câmara com theremin, a Fantasia de Martinu. A maior autoridade viva em theremin hoje? Lydia Kavina, sobrinha neta do inventor do instrumento, e quando algum dia ela se for provavelmente o mundo do theremin será dominado por outra mulher, como "mestra máxima" ou "lenda viva". É o destino. Lydia já disse numa entrevista que só conseguia pensar na Pamelia Kurstin como intérprete realmente profissional, além dela. Ficam também como candidatas ao reinado do theremin suas melhores alunas: Carolina Eyck e Barbara Buchholz. Os homens, cadê?

Aí acabam associando o theremin às lutas pelos direitos da mulher, igualdade de gênero [em termos de direitos], feminismo, etc. O theremin não tem nem 1 pingo de "feminismo" em si - que fica por conta do intérprete. Trata-se de uma associação mental que construímos ao longo dos anos. Talvez pelo fato de o instrumento ser semelhante à voz feminina, ou por permitir aos corpos femininos (menor densidade óssea e massa) mais possibilidades de afinação e expansão da sensibilidade da antena vertical. Dentre outros fatores.

Para os mais acadêmicos e a quem possa interessar, um livro que trata bem da relação entre theremin e feminismo é:

RODGERS, Tara. Pink Noises: Women on electronic music and sound. Durham, Carolina do Norte: Duke University, 2010.

Nesse link estão alguns trechos que eu upei, tudo em inglês:
http://pt.scribd.com/doc/51749733

Um leitor sugeriu que mulheres casadas, sendo sustentadas pelo marido, poderiam se aventurar mais no campo do theremin, que não dá retorno financeiro. Isso não procede. Não vou discutir detalhes, mas essa visão de uma mulher dependente usando o theremin como hobby que possivelmente deu certo não é compatível com a maioria das poderosas do mundo do theremin.



Mais recente que isso e menos enraizada historicamente é a relação entre o theremin e a população LGBT, especialmente os travestidos e andróginos, como exemplifiquei acima. Afinal, o theremin dá mais "visibilidade" a qualquer um. Eu poderia ficar horas exemplificando o que disse até então e fornecendo-lhes links e estatísticas, mas quem quiser se aventurar pelo mundo do theremin logo de cara vai se deparar com essas realidades. Mas, voltando ao sexo dos theremins:
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Brincadeiras à parte, a verdade é o contrário do que se imagina - as aparências enganam. Esteticamente falando, a antena vertical reta, embora pareça um símbolo fálico, é a antena feminina, onde se revelam os feitios de soprano como vibrato e glissandos com gestos delicados, enquanto a antena horizontal curva é a antena masculina, onde fazemos trêmolo, acentuações e articulações diversas, em sua enorme superfície (por isso é curvada), com gestos mais grosseiros.

Os bons e os podres do theremin, verdade nua e crua, sem mentiras e sem puxar sardinha pro lado de ninguém, você só vê aqui, no teremin.blogspot.com!

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